Muito além da realização de exames, a luta contra a doença também envolve educação em saúde, acesso aos serviços, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e apoio às mulheres durante todo o processo

Enfrentar o câncer de mama exige uma abordagem integrada que vai muito além da busca por exames de rotina. A eficiência do combate à doença passa por cinco pilares fundamentais, como destaca a médica Tânia Cupaiolo, professora do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e especialista em Ginecologia: educação em saúde, acesso facilitado aos serviços, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e apoio contínuo às pacientes.


“No campo da educação em saúde, a conscientização começa com hábitos saudáveis capazes de reduzir o risco de desenvolvimento do tumor, na chamada prevenção primária, mas evolui também para derrubar alguns mitos existentes, como o medo da dor da mamografia ou a falsa ideia de que quem não tem casos de câncer na família está isenta do risco”, explica Tânia.


O acesso real aos serviços e exames compreende a prevenção secundária: “Aqui, é a busca por detectar a doença em fase inicial, antes do surgimento de sintomas. No SUS, a orientação populacional de rastreamento por mamografia ocorre a cada dois anos entre os 50 e 74 anos, com possibilidade de acesso individualizado entre 40 e 49 anos ou acima de 74 anos. Casos com histórico familiar relevante, vale lembrar, exigem acompanhamento específico com mastologista e avaliação genética, podendo iniciar a vigilância mais cedo”, alerta a docente da UMC.


É nesse contexto que entra mais uma arma importante desse arsenal: o diagnóstico oportuno, que deve receber atenção também das mulheres mais jovens. Embora o câncer de mama siga mais frequente após os 50 anos, pesquisas apontam uma tendência de aumento da incidência e da mortalidade entre mulheres com menos de 40 anos. 


“A idade não deve ser motivo para descartar sintomas. A ausência de indicação para mamografia de rotina em jovens não significa ausência de necessidade de investigação. Ao perceber alterações persistentes, como nódulos endurecidos, retração da pele, assimetrias ou saída de secreção no mamilo, a paciente deve procurar avaliação médica. Saber reconhecer os sintomas é conhecimento precioso para o cuidado”, diz a especialista.


O tratamento adequado é o quarto pilar. O diagnóstico precoce muda drasticamente a evolução e o tratamento da doença: “Em fases iniciais, é possível realizar cirurgias conservadoras, retirando apenas a parte afetada da mama, e reduzir a necessidade de tratamentos sistêmicos agressivos, preservando a saúde física e a qualidade de vida da mulher”.


Por fim, o acolhimento e o suporte contínuo também fazem total diferença. “O suporte à paciente durante toda a jornada de diagnóstico e tratamento é indispensável para evitar o abandono terapêutico e assegurar a recuperação integral. Para essas pessoas que já receberam o diagnóstico, o recado é: vocês não estão sozinhas", reforça Tânia.


Policlínica da UMC

Para marcar a campanha do Outubro Rosa, a UMC promove durante o mês ações gratuitas na Policlínica. A estrutura oferece orientação médica, avaliação clínica e esclarecimento de dúvidas sobre prevenção e autocuidado no combate ao câncer de mama.


O projeto conta com a participação ativa das Ligas Acadêmicas de Oncologia, de Ginecologia e Obstetrícia e de Cirurgia Plástica, por meio de palestras e acolhimento supervisionado por docentes. A iniciativa permite que os estudantes de Medicina aprendam, na prática, a dialogar sobre prevenção, escutar com empatia e humanizar o atendimento médico.