Quem trabalha seis dias por semana conhece bem o valor de uma folga na semana. É o dia de lavar roupa, resolver pendências, tentar descansar e, quando sobra tempo, estar com a família. As vezes, a folga acaba antes que o corpo consiga se recuperar. Para quem ainda enfrenta horas no transporte, como tantos moradores do Alto Tietê, esse tempo faz ainda mais falta. Por isso, considero uma conquista a aprovação, pelo Senado, da PEC 221 /2019, de autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), que põe fim à escala 6x1 . A proposta, que ainda aguarda promulgação, estabelece cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, sem redução salarial. A jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais dois meses após a promulgação e chegará a 40 horas um ano depois. Não estamos falando apenas de mudar uma escala. Estamos falando de pais e mães que poderão acompanhar mais de perto os filhos, de gente que terá tempo para estudar, cuidar da saúde, visitar os amigos ou simplesmente não fazer nada. Descansar também faz parte da vida. Sei que empresas, especialmente as menores, terão desafios para reorganizar suas equipes. Isso exige planejamento e diálogo. Mas não concordo com a ideia de que todo avanço trabalhista representa uma ameaça à economia. Não podemos medir o desenvolvimento de um país apenas pelo tempo que as pessoas passam trabalhando. Vale olhar para outras experiências. A França tem jornada legal de 35 horas; Portugal, limite normal de 40. O Chile reduz gradualmente sua jornada para 40 horas até 2028. Na Islândia, testes com jornadas menores registraram mais bem-estar, com produtividade preservada ou melhorada na maioria dos locais avaliados. São modelos diferentes, mas mostram que existem alternativas. O Brasil precisa produzir, empreender e gerar empregos. Precisa também permitir que quem trabalha tenha tempo para viver. Afinal, de que vale o progresso se não podemos desfrutar dele