Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31/08) as negociações comerciais em torno das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros. Depois de divergências e troca de acusações, a volta ao diálogo representa uma oportunidade para substituir o confronto por uma negociação objetiva.


As sobretaxas reduzem a competitividade das mercadorias brasileiras no mercado norte-americano e atingem importantes setores das exportações. Ao mesmo tempo, tarifas elevadas podem encarecer produtos e insumos para empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos. Há, portanto, razões econômicas para que os dois países procurem uma solução equilibrada.


O Brasil busca ampliar a lista de produtos livres das tarifas adicionais. A relação comercial envolve petróleo, aço, aeronaves, café, celulose, máquinas, combustíveis, produtos químicos, medicamentos e tecnologia. Uma guerra comercial prolongada não interessa a nenhum dos lados.


As diferenças, entretanto, não são apenas econômicas. Existem divergências políticas e de segurança, especialmente sobre o combate ao narcotráfico e às organizações criminosas que atuam internacionalmente.


Diante dessa situação delicada, em que o governo americano defende seus interesses econômicos e demonstra preocupação com o crime organizado e com as drogas que chegam ao seu território, as autoridades brasileiras dos três Poderes precisam agir com responsabilidade. Devem ouvir a sociedade, produtores, importadores e exportadores e, pela diplomacia, buscar um entendimento que respeite os interesses legítimos dos Estados Unidos sem prejudicar a economia, a soberania e a segurança interna do Brasil. Não há espaço para decisões movidas por emoção, interesses pessoais ou conveniências eleitorais.


O Brasil também precisa enfrentar com firmeza as facções criminosas que cresceram e se internacionalizaram nas últimas décadas. A cooperação com outros países pode ser necessária, mas qualquer iniciativa deve ocorrer por meio de acordos formais e com absoluto respeito à soberania brasileira.


Donald Trump e Lula possuem diferenças políticas evidentes, mas representam duas nações cuja relação é muito maior do que seus governos. Não interessa ao Brasil aceitar imposições que prejudiquem sua economia, mas também não é conveniente alimentar um confronto permanente com os Estados Unidos.


O melhor caminho é negociar com firmeza, proteger os interesses nacionais e buscar soluções concretas tanto na área comercial quanto na segurança. Nem submissão, nem confronto desnecessário: diplomacia, soberania e entendimento devem orientar as relações entre as duas nações.


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).