A presença da Polícia Federal e de outros órgãos de segurança em aeroportos, rodoviárias, terminais ferroviários e regiões de fronteira desperta atenção, especialmente quando o País acompanha investigações relacionadas à corrupção, lavagem de dinheiro, pagamento de propinas e desvio de recursos públicos

Nos últimos dias, publicações nas redes sociais passaram a afirmar que teria sido montada uma operação extraordinária para impedir a fuga de políticos, empresários e outros investigados. Algumas mensagens relacionam essa suposta movimentação aos casos do Banco Master, do INSS e de outras instituições. Entretanto, sem informações oficiais, decisões judiciais ou documentos verificáveis, tais alegações não podem ser apresentadas como fatos consumados.

A presença de agentes em número aparentemente superior ao habitual não comprova, por si só, a existência de uma operação destinada a impedir a saída de autoridades ou empresários do País. Fotografias isoladas, relatos anônimos e interpretações pessoais devem ser recebidos com cautela.

O combate à corrupção deve ser firme e permanente, mas sempre conduzido dentro da lei. Havendo indícios concretos de crimes, cabe às instituições investigar, reunir provas e responsabilizar os envolvidos, independentemente de cargo, influência econômica ou posição política. Aos investigados, contudo, devem ser assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.

As redes sociais constituem um grande avanço para a sociedade e são livres de censura por determinação constitucional. Essa liberdade, porém, exige critério e responsabilidade. Quem pública ou compartilha informações falsas ou ofensivas deve responder pelos prejuízos causados. Atribuir publicamente culpa a alguém sem provas ou condenação pode configurar crime contra a honra. 

Combater a corrupção é indispensável, mas combater as notícias falsas também. A democracia não se fortalece com rumores, acusações sem provas ou julgamentos antecipados, e sim com transparência, responsabilidade, respeito à Constituição e aplicação igualitária da lei.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).