Terminada a campanha eleitoral, já temos os eleitos em preparação para assumir os seus postos no Legislativo e Executivo. Serão o presidente da República, os 27 governadores e os respectivos vices, compondo o Executivo Federal, Estadual e distrital. O novo Legislativo terá os 54 senadores (dois terços do Senado) eleitos esse ano, os 513 deputados federais e os 1059 deputados estaduais e distritais. Eles constituem o poder público federal e estadual e levarão consigo a tarefa de movimentar a União e o Estado. O presidente Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB) terão nos próximos meses a espinhosa tarefa de, pertencendo ao segmento de esquerda da política nacional, buscar constituir uma bancada que possa atender aos interesses de seu governo no Congresso Nacional. Os governadores também utilizarão os últimos meses do ano para costurar o entendimento com as suas Assembleias. O ideal é que no dia 5 de janeiro, quando os eleitos do Executivo tomarem posse e em fevereiro, quando o novo Legislativo começará o trabalho, as máquinas estejam todas azeitadas e os interesses apalavrados.

Infelizmente, a política brasileira tem sido turbulenta nos últimos tempo. Adversários comportam-se como inimigos e – se puderem – partem para a destruição do oponente quando, na verdade, o ideal seria que, passadas as eleições e suas disputas, todos se unissem para resolver os grandes problemas do povo. 

Temos, com a nossa Aspomil, pregado a pacificação política do País, do Estado e do município. Em vez da disputa desmedida, os ditos homens (e mulheres) públicos devem se debruçar sobre os interesses e necessidades da população. Jamais atuar sobre os erros ou fraquezas do adversário. O próprio eleitor deve, no devido tempo, conhecer os militantes políticos de sua cidade ou região para poder votar naqueles que tenham compromissos de trabalho pela solução dos problemas locais. 

Os políticos, em vez de brigar entre si, deveriam se preocupar em perenizar os trabalho que realizam pelas respectivas comunidades. Todos nós, ao longo de nossa vida comunitária, já conhecemos políticos da mais alta qualidade que simplesmente se acabaram porque, quando estiveram no auge de suas carreiras e do prestígio eleitoral, não se preocuparam em formar grupo e principalmente os possíveis sucessores. Quando foram limitados pela idade avançada ou até mesmo pela morte, seus lugares ficaram vazios porque não foram previdentes. Seus outrora eleitores, familiares e amigos deles têm saudade, mas não podem desfrutar dos benefícios da corrente política a que pertenceram e ajudaram a manter por anos ou até décadas. É uma pena que isso ocorra com frequencia muito maior do que imaginamos. 

Não sabemos até onde nosso apelo chegará, mas não podemos deixar de pedir aos atuais políticos e lideranças bem sucedidos que, além do trabalho para o presente – que é muito importante – jamais se esqueçam de incentivar e apoiar amigos e correligionários que possam sucedê-los na política de sua comunidade. Com isso, além de manter a atividade do presente, também estarão cuidando da própria memória e do bem-estar das novas gerações de sua comunidade. Pensem nisso...



Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).