Temos à frente um fim-de-semana como poucos na História do País. Não propriamente por condições especiais, mas pelo imperativo do calendário. Só a cada quatro anos vivemos a véspera e o dia da eleição presidencial que, décadas atrás foi realizada com intervalos de cinco e até seis anos. A escolha do governante do período futuro tem o mesmo efeito tanto quando ele é novo no posto quanto nas vezes em que é reeleito. Afinal de contas, quando o povo reelege um admnistrador público é significado de que o seu trabalho foi aprovado. O quadro que vivemos no presente é diferente, embora o desafiante Flavio Bolsonaro (PL-RJ) tenha vencido no primeiro turno e hoje apareça à frente na maioria das pesquisas, não há a garantia absoluta de que vença o veterano Lula da Silva (PT), que cumpre o seu terceiro mandato presidencial e hoje concorre a um quarto período. As pesquisas – dizem os especialistas – são uma fotografia do momento da aplicação e o que vale mesmo é o número de votos encontrados dentro das urnas, que a Nação só conhecerá na noite do domingo, quando a contagem deve chegar ao fim.
O fenômeno da polarização entre os candidatos de esquerda e direita e seus seguidores tem sido um problema nas eleições mais recentes. Os o participantes do processo – candidatos, cabos eleitorais e até simpatizantes – assumem a postura agressiva de quem pretende eliminar o adversário. O melhor seria se uns procurassem vencer os outros com boas propostas que chamassem a atenção e despertassem o interesse do povo. É melhor conquistar o voto do eleitor com propostas que o cativem do que o discurso que falem mal do adversário.
Desde o começo do período eleitoral temos exortado o eleitor a buscar conhecimento dos candidatos, de sua vida política e de suas propostas para o próximo mandato para, dessa forma, dar o seu voto àqueles que prometam realizar obras e serviços do interesse do eleitorado e da comunidade em geral. De nada adianta dar seu voto de forma ideológica e depois ver o eleito tratando de coisas que nada têm com interesse seu e de sua comunidade.
A incomoda polarização entre a esquerda lulista e a direita bolsonarista gerou nos últimos dias boatos, nas redes sociais de que seguidores do que vier a perdes a eleição poderão promover distúrbios. Especialmente que as facções do crime organizado e milícias que se sentirem perdedoras poderão promover ataques a prédios públicos, ônibus e outros serviços. Tanto é que influenciadores tem aconselhado o eleitor a não sair às ruas para comemorar a vitória do seu candidato para evitar serem agredidos (ou pior) pelos oponentes. As autoridades devem se manter atentas para prevenir e evitar essa selvageria.
À grosso modo, o eleitorado votante é composto por algo em torno de 30% de esquerdistas-lulistas e outros 30% de direitistas-bolsonaristas. A expectativa de vitória, além das vantagens que Flavio Bolsonaro já acumulou, está na possibilidade de um dos concorrentes conseguir convencer maior número de indecisos que o outro. No primeiro turno a abstenção foi de 33,4 milhões (21,08%). Isso leva muitos a acreditarem num resultado apertado, principalmente se acontecer, nessas ultimas horas, algum episódio que beneficie um e prejudique o outro candidato.
Espera-se que os dois consigam bem aplicar o final de sua campanha e o resultado seja majoritariamente fruto da vontade do povo em vez de decorrente de artifícios de campanha ou publicidade. Queremos que o vencedor tenha todas as condições para cumprir suas promessas e alçar o nosso País a melhores patamares do que os vividos no momento, podendo reparar todas as imperfeições que hoje prejudicam o desempenho dos Três Poderes, atrapalham a Democracia e levam o povo a sofrer.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).