Passado o furacão eleitoral do último domingo, 4 de outubro, o Brasil ingressa na campanha do segundo turno, marcada para o próximo dia 25. O resultado das urnas colocou Flávio Bolsonaro na primeira posição, com 47,03% dos votos válidos, seguido de Lula, com 45,16%. A disputa promete ser intensa, mas oferece ao eleitor uma oportunidade de refletir sobre o futuro do País.

O eleitorado manifesta suas preferências, suas insatisfações e, sobretudo, suas expectativas em relação aos próximos governantes.

Entretanto, mais importante do que a vitória deste ou daquele candidato é a necessidade de superar a mesmice que há tantos anos domina o cenário político nacional. O Brasil precisa crescer, evoluir, produzir riquezas, reduzir desigualdades e oferecer melhores condições de vida à sua população. Precisa recuperar a confiança no futuro.

Felizmente percebemos sinais de amadurecimento do eleitorado. A sociedade parece cada vez mais disposta a questionar promessas, avaliar resultados e exigir compromissos verdadeiros. É um caminho indispensável para o fortalecimento da democracia.

Ao escolher seu candidato o eleitor deve observar, inicialmente, se ele já ocupou cargos públicos. Se ocupou, cabe perguntar: o que efetivamente realizou? Quais benefícios proporcionou à população? Que resultados concretos deixou de sua passagem pelo poder? Não bastam discursos, justificativas ou realizações anunciadas. É preciso examinar os fatos.

Se o candidato disputa pela primeira vez determinado cargo, a avaliação deve recair sobre suas propostas. O que pretende realizar? Quais são suas prioridades? E, principalmente, como pretende cumprir aquilo que promete? Um programa de governo precisa apresentar caminhos possíveis, e não apenas alimentar expectativas.

Lula e Flávio Bolsonaro representam trajetórias políticas distintas e procuram conquistar a confiança dos eleitores. Ambos terão de demonstrar capacidade de governar, dialogar com o Congresso Nacional e enfrentar os grandes desafios brasileiros.

A campanha não pode transformar-se apenas numa sucessão de ataques, ressentimentos e acusações. O País necessita de debates sobre saúde, educação, segurança pública, emprego, desenvolvimento econômico e equilíbrio entre os Poderes.

Também os parlamentares eleitos terão responsabilidades decisivas. Espera-se deles atuação independente, respeito às instituições e disposição para realizar as reformas necessárias, sem revanchismo ou interesses que se sobreponham ao bem comum.

O Brasil tem condições de construir um futuro melhor. A esperança começa a despontar no horizonte, mas precisa ser acompanhada de responsabilidade, participação e consciência política.

Aos candidatos compete apresentar propostas viáveis e compromissos sérios. Aos eleitos caberá transformar palavras em realizações. Ao eleitor pertence a responsabilidade de escolher, fiscalizar e cobrar.

A hora é agora. Que o voto consciente seja o primeiro passo para um Brasil mais desenvolvido, justo, democrático e feliz.


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).